quarta-feira, 7 de agosto de 2019

UMA BREVE HISTÓRIA DA CIDADE DE MORRINHOS-GO: DE SUA ORIGEM AO SEU ESPLENDOR




A ocupação da região sul de Goiás aconteceu ao mesmo tempo que a ocupação do Triângulo Mineiro, que até 1816 fazia parte do território da província de Goiás. A maior fase de ocupação do Triângulo Mineiro se deu no inicio do século XIX, quando o governador da Província de Goiás, Marquês de São João da Palma, em 1809, quando ele organizou bandeiras de exploração e reconhecimento do lugar. A ocupação da região sul de Goiás aconteceu  quando ainda não havia legislação fundiária, o que incentivou a migração para o sertão.

Figura 1 - A INTERIORIZAÇÃO E A MARCHA DO POVOAMENTO NO SÉCULO XVIII


Fonte: PETRONE, P., 1970. p.134.

Por se tratar de uma região, de certa forma, rota de passagem e de incursões de bandeiras que adentravam o interior do Brasil, conforme se pode notar na Figura 1, não seria possível determinar como, convencionalmente é relatado por memorialistas da história local, o pioneirismo da ocupação e povoamento do município, exclusivamente, da família dos Correa Bueno, mas, também de várias outras famílias como os Martins Veiga, Martins Assunção, Rosa do Carmo, Gonzaga de Meneses, Coelho de Siqueira, Sousa Rosa, Luís Guimarães, Rodrigues Paiva, Antônio de Barros, Mendes Moreira, Barbosa Amorim, Araújo Moreira, Pereira Vargas, Mattos e Parreira e outras dezenas de famílias anônimas de pardos e negros livres que aqui se estabeleceram na perspectiva de construir uma nova vida através do acesso livre à terra. E que, de certa forma, ajudaram a fundar e a construir as cidades de Piracanjuba, Morrinhos, Itumbiara, Caldas Novas e Buriti Alegre. Conforme informação dos registros de casamentos realizadas na Capela de Nossa Senhora do Carmo de 1836 a 1852 sabe-se que essas primeiras famílias de entrantes era em sua maioria de Minas Gerais e originários das localidades de São Francisco das Chagas, Sacramento, Piuhuim, Bagagem, Passos, Brejo Alegre, Campos Belos, Dores de Uberaba, varginha, Formiga, Pitangui, Campanha,  Tamanduá e Araxá.
Como nas demais regiões do Brasil, os primeiros habitantes de Morrinhos, em sua maioria absoluta eram analfabeta e muitos que se diziam alfabetizados mal sabiam desenhar o nome de rol de assinaturas dos inventários post-mortem. O analfabetismo ainda era maior entre as viúvas, informação que não era nenhuma novidade em um contexto histórico de uma sociedade agrária em que uma escola de primeiras letras mais próxima podia-se encontrar a dezenas de quilômetros de suas residências em um tempo que o cavalo e a mula eram os principais e mais rápidos meios de transportes utilizados.
Os dados revelam que o acesso à educação de primeiras letras era privilégio de poucos, mesmo entre os mais ricos o analfabetismo era muito grande e mais acentuado entre mulheres, negros, pardos e pobres. Durante o período colonial eram pouquíssimas as mulheres que tinham o acesso à educação formal, somente a partir de 1830 que começaram a surgir as primeiras cadeiras de ensino elementar para meninas em Goiás. Situação que não melhorou após a independência do Brasil em 1822, segundo os resultados censitários, já para o final do século XIX, em 1872, 79,7% dos habitantes do sul de Goiás era de analfabetos, índice que se elevou em 1890, para 88,5%.
Essa população que passou a ocupar o sul de Goiás teve que migrar de Minas Gerais e de São Paulo para outras localidades em busca de terras devolutas para apascentar que se encontravam nos longínquos sertões de Goiás e Mato Grosso.  Foram empurradas para essas regiões interioranas para continuar a dedicar-se a atividades econômicas centradas na agricultura e pecuária extensiva voltada, quase que exclusivamente, para o consumo e abastecimento familiar. Foi a crise da produção aurífera, em um primeiro momento, que instigou esse fluxo migratório para o Oeste Paulista, Triângulo Mineiro e Sul de Goiás.

Figura 2 - A REGIÃO SUL DE GOIÁS ENTRE, 1822 - 1910



FONTE: Relatório final do zoneamento ecológico e econômico da região de Meia Ponte. Estudos básicos. Vol I. Estado de Goiás Secretaria do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e Habitação. Superintendência de Gestão e Proteção Ambiental. Metais De Goiás S/A – Metago: Goiânia, 1999. p.182
(* )  Data da fundação do povoado
( ** )  Data da emancipação do município


Conforme documentação histórica encontrada em arquivos administrativos, cartoriais e paroquiais pesquisados pela historiografia local a ocupação da região sul de Goiás no qual a cidade de Morrinhos encontrava-se inserida teve início nos fins do século XVIII e início do século XIX. A constituição do pequeno povoado que futuramente veio a ser Vila Bela (1871) e, posteriormente, Morrinhos (1882) deve ter se iniciado na década de 1820
Mas precisamente, na década de 1830, já havia um pequeno arraial com poucas casas em que foi edificada uma pequena capela construída em homenagem à Nossa Senhora do Carmo dos Morrinhos, cujas atividades religiosas tiveram início em 1836 quando se tem o registro do primeiro casamento que foi realizado em 11 de abril e teve como noivos Francisco de Paula Abreu e Maria Teodora de Jesus (BARBOSA, 2017).
Naquele tempo era comum, depois de alguns anos ou algumas décadas, os fazendeiros de determinada localidade se reunirem e fazerem doações de terras para  ao patrimônio de um santo ou santa, onde seria construído a igreja ou capela em cujas proximidades  acabava surgindo um pequeno arraial que, ser tornava um povoado, depois, freguesia e vila e, por fim, cidade com a emancipação política. Quando o capitão Gaspar Martins da Veiga juntamente com sua esposa Joaquina Maria de Jesus, doaram as terras para a constituição do patrimônio de Nossa Senhora do Carmo  – cerca de 600 alqueires –  por escritura pública de cartório em 26 de março de 1845, o arraial de Nossa Senhora do Carmo dos Morrinhos já estava constituído a algum tempo, mas, a constituição das terras do patrimônio era uma pré-condição para a elevação de um arraial à condição de Freguesia. Com isso, o pequeno arraial passou a ser denominado de Freguesia de Nossa Senhora do Carmo dos Morrinhos. O terreno doado naquela ocasião compreende as terras que atualmente abrange a área urbana da cidade de Morrinhos-GO.
Os arraiais que se tornaram vilas e, posteriormente, cidades originaram-se, em sua grande maioria, de patrimônios religiosos, em que um ou mais proprietários de terras, doavam terras ao santo de sua devoção, por meio de documento público onde o beneficiário era a autoridade eclesiástica. O doador fixava desta forma, as bases estruturais do futuro aglomerado procurando atrair moradores para o local. Os que estabelecem no chão doado ao santo padroeiro pagavam foros à diocese e, os que fixavam nas redondezas tornavam-se arrendatários ou proprietários de lotes de terras ocupados.[1] Essa prática de doar uma pequena parcela de terra à uma paróquia ou a uma comarca das vizinhanças, era também, uma das formas dos grandes proprietários legitimarem suas posses e valorizar suas propriedades, “de modo a envolver as autoridades locais e a garantir seu apoio, em caso de litígio.”[1]
Os arraiais que se tornaram vilas e, posteriormente, cidades originaram-se, em sua grande maioria, de patrimônios religiosos, em que um ou mais proprietários de terras, doavam terras ao santo de sua devoção, por meio de documento público onde o beneficiário era a autoridade eclesiástica. O doador fixava desta forma, as bases estruturais do futuro aglomerado procurando atrair moradores para o local. Os que estabelecem no chão doado ao santo padroeiro pagavam foros à diocese e, os que fixavam nas redondezas tornavam-se arrendatários ou proprietários de lotes de terras ocupados..[1] Essa prática de doar uma pequena parcela de terra à uma paróquia ou a uma comarca das vizinhanças,era também, uma das formas dos grandes proprietários legitimarem suas posses e valorizar suas propriedades, “de modo a envolver as autoridades locais e a garantir seu apoio, em caso de litígio.”[2]



[1] SILVA, 2004 p.42



[2] AZEVEDO, Aroldo de.  Habitat. In. AZEVEDO, Aroldo de. (org.) Brasil: a terra e o homem. Vol.II – A vida humana. Cia. Editora Nacional: São Paulo, 1970. p.245.


Com a Resolução n.º 2 de 15 de novembro 25 de novembro de 1855, a Freguesia de Nossa Senhora do Carmo dos Morrinhos foi elevado à  condição de Vila Bela do Paranaíba. Condição revogada em 1859 e restabelecida somente em 1871, pela Lei n.63 de 19 de novembro de 1871, em que passou a denominar-se Vila Bela de Morrinhos. Por fim, em 29 de agosto de 1882, foi elevado à categoria de cidade com a denominação de Morrinhos, que passou a ser conhecida em princípios do século XX de cidade dos pomares.
A emancipação política de Morrinhos ocorreu coincidentemente no momento que intenso fluxo migratório para a região sul de Goiás, por conta da construção da construção da estrada de sul que foi iniciativa ainda na década de 1850, a partir do apelo da população regional e, especialmente, dos comerciantes de Uberaba, implementaram-se obras de construção de pontes, uma balsa no Porto de Santa Rita do Paranaíba (hoje Itumbiara), construção e melhorias no traçado da estrada o que possibilitou um trafego como maior segurança e comodidade, por um caminho que representava a economia de 60 léguas na viagem a São Paulo e Rio de Janeiro, em relação ao antigo caminho do Anhanguera que cortava o sudeste de Goiás onde, posteriormente, a partir de 1909 construiu-se os trilhos da Estrada de Ferro Goiás. Houve o crescimento expressivo do fluxo migratório para a região sul de Goiás que se consolidou com a mais importante do Estado até meados do século XX, que tinha a cidade de Morrinhos como a cidade mais importante da região, constituindo-se, um dos principais centros econômicos e de decisão política do Estado de Goiás.[2]
Segundo Borges Sampaio (1971) a estrada do sul ou de São Paulo foi um empreendimento idealizado pelo Padre Hermógenes nos primeiros anos do século XIX, quando então solicitou do governo da Capitania de Goiás e concessão de favores para abrir estrada mais curta e segura entre Uberaba e aquela capital. Porém, somente foi aberta pelo major Eustáquio, auxiliado por Pedro Gonçalves, mediante o auxílio de mil cruzados pagos pelo governo metropolitano.


Figura 3 – A ESTRADA DO SUL OU DE SÃO PAULO, CONFORME INTINERÁRIO DE J.A. LEITE DE MORAIS – 1881.
Fonte: LEITE MORAES, J. 1995.p.33

Somente a partir de fins de 1880 que este caminho passou a ser o preferido pelos viajantes por se encontrar mais densamente povoado e por haver maiores facilidades de auxílio e segurança, e principalmente, por ser o caminho mais curto e transitável e “foi também por ela que a expedição do coronel Cunha Matos foi colocando os postes que levaram os fios telegráficos a Goiás”(SAMAPIO, 1971, p. 184)
Devido a intensificação do movimento pela estrada do sul que se tornou o principal caminho para Goiás até a chegada dos trilhos da Estrada de Ferro Goiás (1909), houve um aumento do fluxo migratório, econômico e comercial para as regiões sul e sudoeste de Goiás. Segundo França (1975, p. 89) entre os anos de 1870 e 1900 ocorreu significativo aumento populacional na região sul, marcado pela intensificação da migração, procedente de São Paulo, sobretudo, de Minas Gerais. Os municípios que tiveram maiores índices de crescimento demográfico entre os anos de 1872 a 1900 foram: “Morrinhos (207,3%), Pouso Alto (atual Piracanjuba) (201,6%), Curralinho (atual Itaberaí) (85,1%), Rio Verde com (72,4%), Entre Rios (atual Ipameri) (66,2%), Jataí (62,5%) e Jaraguá (53,3%)”.
Na região sul, Morrinhos tornou-se importante ponto de ligação entre Goiás e Minas Gerais, diferentemente do Sudoeste goiano, os recém-chegados não vivenciaram o isolamento, e acabavam integrando-se a uma sociedade já constituída, ampliando-a geográfica, social e economicamente.
Desta forma, a partir dos inventários post-mortem, desenvolvido por Hamilton A. Oliveira (2006) foi possível identificar algumas famílias pioneiras, que ocuparam a região sul de Goiás na primeira metade do século XIX distribuídas em suas respectivas propriedades e domicílios conforme se apresenta na Tabela 1.


Divididas as terras entre os familiares e agregados – que poderiam ser parentes ou não –  o preparo da terra para o cultivo e pastagem requeria um esforço conjunto de todos os componentes do núcleo familiar extenso, pois na época todo o trabalho era feito com o uso dos braços, tendo apenas como instrumentos básicos de trabalho a enxada, o machado e a foice e o fogo, não utilizava-se de nenhuma adubação química ou qualquer “defensivo” agrícola, a produção, produtividade era determinado pela qualidade do solo e o ritmo de trabalho acompanhava as estações do ano. O tempo e a vida seguia o ritmo da cavalgada dos cavalos e burros e o ranger dos carros de bois, que somente começaram a ser utilizados no transporte de mercadorias com mais intensidade, em Goiás, na segunda metade do século XIX com a interiorização das ferrovias.
Era no campo, ou melhor, no mundo rural, que a maioria das pessoas vivia e trabalhavam e, de certa forma, era autossustentáveis por depender muito pouco mercado externo que ficava nas pequenas vilas e cidades que eram abastecidas pelo pequeno e diverso excedente produzido nos principais estabelecimentos rurais. Nos mercados das vilas comprava-se muito pouca coisa, às vezes um vinho ou bacalhau para determinadas ocasiões especiais e festivas, o sal que era um produto raro e muito caro, alguns tecidos finos e aviamentos para fabricação de alguns ternos de roupas de ocasião, louças, vidros, ferro, aço, ferragens, pólvora, chumbo, ferramentas, escravos e bestas.
Em Morrinhos, por exemplo, na década de 1880, conforme dados de notas promissórias de cobranças apresentadas nos inventários post-mortem, analisados por Hamilton A. Oliveira (2006) havia somente cinco estabelecimentos comerciais: Casa Bom Gosto de João Gualberto Teixeira; Hermenegildo, Nunes & Cia.; José Luiz de Medeiros; Francisco Soares Pinheiro; e Eliézer Severino de Oliveira & Cia. Tratavam-se de pequenos estabelecimentos que vendiam de tudo um pouco: sortimentos de fazendas, ferragens, armarinhos, roupas chapéus, calçados, louças, molhados, sal, café, ferramentas, etc., também, alguns medicamentos á base de plantas, raízes e manipulados.
O espaço urbano da cidade de Morrinhos naquele tempo era bem diminuto, provavelmente, não ultrapassava a 500 casas. A movimentação na cidade ocorria aos finais de semana, sobretudo, nas ocasiões de festividades religiosas que aconteciam no largo da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo, especialmente, nos meses de julho com a festa da padroeira que, em 1945, passou a ser denominada de Festa do Centenário que reunia pessoas do município e cidades vizinhas.
Entre 1920 e 1930 Morrinhos já era uma das principais cidades de Goiás.  Em seu livro “Morrinhos ao som da lira”, Bruno Vieira fala sobre como a cidade cresceu depois da passagem de Leite de Morais em 1881. Em seu livro ele fala sobre como a cidade se estendia um pouco acima da rua do comércio, atual Barão do Rio Branco. Em 1920 a cidade já tinha 3186 casas ocupadas e apenas duas sem moradores, a cidade tinha o 5º maior rebanho de Goiás e tinha a 3º maior produção agrícola, nessa época a cidade também era a 3º maior de Goiás, com 24.502 habitantes. Mesmo com todo este crescimento, o campo era onde concentrava a maioria das pessoas. Por conta da falta de médicos e remédios farmacêuticos de difícil acesso os morrinhenses buscavam na medicina popular e no trabalho de curandeiros, parteiras e benzedores o alívio e a cura de suas enfermidades.
A partir da década de 1930 a cidade de Morrinhos começou a passar por grandes transformações no espaço urbano, especialmente, com as grandes obras de construções realizadas por Maria Amabini de Moraes, viúva do senador Hermenegildo Lopes de Moraes, conhecida popularmente como D. Fiica, que construiu dois grandes colégios na cidade: o Ginásio Senador Hermenegildo de Morais (para meninos) e o Colégio Maria Amabini de Moraes (para meninas). Ela também fundou uma Casa de Misericórdia, mas não chegou a funcionar. Além disso, vendeu centenas de alqueires de terras a preços acessíveis a pequenos lavradores e construiu o Cine-Teatro Hollywood, conforme noticiado no Jornal Folha de Goyaz, em 14 de janeiro de 1945,  previa acomodação para 1000 pessoas e foi inaugurado em 26 de março de 1949 e foi considerado por muito tempo um dos melhores cinemas do interior de Goiás. Por quatro décadas (1949-1989) foi um dos principais espaços de lazer e entretenimento da cidade de Morrinhos onde se fazia além da projeção de filmes de longa metragem em sua telona, peças teatrais e shows artísticos.
Morrinhos na década de 1950 já não era mais a pequena vila de casas rústicas e esparsas e de aparência deprimente, conforme relatos de memorialistas e viajantes que outrora aqui viveram e que passaram pela cidade. Ao longo do século XX a área urbana passou por grandes transformações, influenciadas pelas notícias e novidades apresentadas pela construção de Goiânia a moderna e nova capital de Goiás, Morrinhos foi modificando a sua paisagem urbanística, a começar pela construção da nova Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo na década de 1930, modificações das fachadas de antigos casarões coloniais ou a sua destruição e construção de residências com estilo moderno de alvenaria: tijolos, telhas francesas, alpendres e fachadas, muitas vezes, seguindo o estilo Art´Deco a exemplo na nova capital que nascia com uma missão civilizatória conforme preconizavam seus idealizadores, especialmente, Pedro Ludovico Teixeira.
Morrinhos possuíam uma população, conforme o Recenseamento de 1950, de 20,8 mil habitantes, destes 1.600 viviam na área urbana (área central da cidade) e pouco mais de 3 mil já - sofrendo os efeitos da migração do campo para a cidade – já estavam ocupando a área suburbana da cidade (bairros periféricos da cidade: Noroeste  - conhecido na época como o Açude -, o Morro da Saudade, São Francisco de Assis – que era conhecido popularmente como o “Cata Osso”- e JK) e mais de 8 mil pessoas ainda continuavam vivendo e trabalhado na zona rural. Cerca de aproximadamente 60% da população de Morrinhos declararam não saber ler e escrever.
A rua Barão do Rio Branco já não era mais a rua do “Bacobré, do Pega Fogo ou da Batucada”, mas o principal centro da vida social, cultural e comercial de Morrinhos, com destaque, além das diversas casas comerciais, o Cine Teatro Hollywood, o Bar Presidente e o Jóquei Club de Morrinhos. Mas, a Festa do Centenário realizada no mês de julho na data de comemorações da festa da padroeira de Nossa Senhora do Carmo de Morrinhos no mês julho – realizada no campo de futebol atualmente está a Praça da Rodoviária -  continuava sendo o principal evento de gala frequentado pela elite morrinhense. A área urbana já se estendia para as proximidades do Cemitério São Miguel e do recém-inaugurado Estágio João Vilela (em 1956), que sempre aos finais de semana recebiam jogos do América Futebol Club do campeonato goiano ou partidas disputadas com times locais e regionais que a população morrinhense acompanhava com muito gosto.

**Texto produzido e adaptado por Hamilton Afonso de Oliveira com a colaboração da bolsista Karen da Cunha Alves para a realização de atividades do PIBID para o 1.os anos do Ensino Médio do Colégio Coronel Pedro Nunes.

REFERÊNCIAS

AZEVEDO, Aroldo de. (org.) Brasil: a terra e o homem. Vol.II – A vida humana. Cia. Editora Nacional: São Paulo, 1970.
BARBOSA, José A. Triângulo da História. 3º ed. Revista e aumentada. Goiânia: Kelps, 2017.
FRANÇA, Maria de Sousa.  Povoamento no Sul de Goiás: estudo da dinâmica da ocupação espacial. Dissertação de Mestrado apresentado no Instituto de Ciências Humanas da Universidade Federal de Goiás em convênio com a Universidade de São Paulo: Goiânia, UFG, 1975.
LEITE MORAES, J.A. Apontamentos de viagem. São Paulo: Cia. das Letras, 1995.
OLIVEIRA, H. A. (2016). 1804 – A População de Goiás na Transição da Mineração para a Pecuária. História Revista21(1), 154-187. https://doi.org/10.5216/hr.v21i1.33600 - acessado em 04 de ago. de 2019.
______________ A construção da riqueza no sul de Goiás. Tese de doutorado. Universidade Júlio de Mesquita Filho (UNESP): Franca-SP, 2006. In. http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=98827 – acessado em 04 de ago. de 2019.
PETRONE, P. Povoamento e colonização. In. AZEVEDO, Aroldo de.(Org.) Brasil: a terra e o homem. Vol.II – A vida humana. Cia. Editora Nacional: São Paulo, 1970.
Relatório final do zoneamento ecológico e econômico da região de Meia Ponte. Estudos básicos. Vol I. Estado de Goiás Secretaria do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e Habitação. Superintendência de Gestão e Proteção Ambiental. Metais De Goiás S/A – Metago: Goiânia, 1999. 


[1] SILVA, 2004 p.42
[2] A estrada do sul passou a ser a principal via de acesso de Goiás ao Triângulo, Uberabinha (Uberlândia), Uberaba e com o Província de São Paulo e Rio de Janeiro.  Uberaba, no Triângulo Mineiro, se tornou no último quartel do século XIX a principal ponte intermediária não só das relações comerciais, mas, também, de pas­sagem de novos fluxos migratórios que estavam à procura de abundantes campos, ainda devolutos, propícios para cria­ção de gado no sul e sudoeste goiano.



[1] AZEVEDO, Aroldo de.  Habitat. In. AZEVEDO, Aroldo de. (org.) Brasil: a terra e o homem. Vol.II – A vida humana. Cia. Editora Nacional: São Paulo, 1970. p.245.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Estabelecimento da Igreja Católica na Idade Média

Santo Agostinho, um dos pais da Igreja Católica
O cristianismo estabeleceu-se como instituição nos séculos finais do Império Romano. Enquanto o Império Romano desmanchava-se em crises internas, a Igreja Católica fortaleceu-se e firmou suas bases. A perseguição aos cristãos encerrou-se a partir de 313 com o Édito de Milão, assinado pelo imperador Constantino. A partir de 380, com a assinatura do Édito de Tessalônica pelo imperador Teodósio, o Cristianismo transformou-se na religião oficial do Império.
       O estabelecimento da Igreja e a formação da doutrina eclesiástica ocorreram mediante os conflitos causados pelas heresias, isto é, todas as doutrinas religiosas que não estavam de acordo com a ortodoxia vigente. Essas heresias colocavam a existência da Igreja em risco e foram duramente combatidas. Como exemplos, podemos citar o gnosticismo, pelagianismo, priscilianismo e o arianismo, uma das heresias que mais possuiu adeptos.

       O arianismo surgiu por meio da doutrina de Ário (viveu no século IV) e negava o conceito da Trindade. Para Ário, o Pai e Cristo não partilhavam da mesma substância, assim, Cristo não era Deus. Ele considerava Cristo uma criação do Pai e, apesar de divino, era inferior ao Pai. O arianismo conquistou inúmeros adeptos pelo mundo cristão, chegando a ser defendido por imperadores, como foi o caso de Constâncio II.
     
Batalha de Ascalon, em 1099, durante a Primeira Cruzada
O problema do arianismo foi tão grande que foi difundido sobre os povos germânicos a partir de Úlfilas, que converteu os godos, espalhando-se para ostrogodos, visigodos, vândalos etc. A Igreja Católica firmou-se entre os povos germânicos a partir da conversão de Clóvis, rei dos francos no século VI. 
Esse primeiro momento de estabelecimento da Igreja deveu-se muito a algumas personalidades, como Santo Agostinho, Santo Atanásio, São Jerônimo, Gregório Magno etc. Todos contribuíram para a construção da doutrina eclesiástica e o fortalecimento da Igreja a partir do combate às heresias.
      
Afastamento de Bizâncio e o surgimento do Islã


        Após a evangelização dos povos germânicos, o Cristianismo enfrentou nova ameaça à sua hegemonia com o surgimento do Islamismo e sua expansão fulminante a partir do conceito de guerra santa, a jihad. Assim, o islamismo expandiu-se por todo o Norte da África e, a partir de 711, conquistou quase toda a Península Ibérica. A expansão muçulmana na Europa só foi interrompida em 732, na batalha de Poitiers, que impediu a entrada dos muçulmanos no Reino dos Francos.

       Além do Islã, a Igreja enfrentou também o afastamento entre o cristianismo sediado em Roma e o cristianismo sediado em Constantinopla. As diferenças teológicas entre a igreja latina e a igreja bizantina resultaram no Grande Cisma do Oriente em 1054. O Grande Cisma foi a separação definitiva da Igreja sediada em Roma da Igreja sediada em Constantinopla. Assim, surgiu a Igreja Católica Apostólica Ortodoxa.
Cruzadas

        A partir de 1095, após convocação do papa Urbano II, a Igreja Católica iniciou um movimento militar chamado de Cruzadas (segundo Le Goff, o nome “Cruzadas” só surgiu no século XV|1|) para conquistar Jerusalém, o Santo Sepulcro e qualquer outro local na Palestina considerado sagrado do controle muçulmano.
         Além disso, a Igreja viu nas Cruzadas e no estabelecimento de um inimigo em comum a todos uma maneira de canalizar a crescente violência manifestada pela nobreza europeia. Para justificar as Cruzadas, foi desenvolvido o conceito de Guerra Justa, que afirmava que a guerra era aceitável se fosse realizada contra o pagão – nesse caso, o muçulmano.
            Ao todo foram realizadas oito cruzadas ao longo de mais de cem anos. A primeira Cruzada ficou marcada pela violência da conquista da cidade de Jerusalém em 1099. Foi estabelecido a partir daí um breve reino cristão na Palestina. A cidade de Jerusalém foi reconquistada pelos muçulmanos em 1187. A quarta Cruzada marcou o saque de Constantinopla pelos cristãos em 1204.
        As últimas Cruzadas foram lideradas por São Luís e resultaram em grande fracasso. Os últimos domínios cristãos na Palestina, Acre e Tiro, foram reconquistados pelos muçulmanos em 1291. As Cruzadas contribuíram para aumentar o afastamento entre cristãos e muçulmanos.
Inquisição
           A partir do século XII, as heresias ganharam nova força em meios cristãos, e a Igreja passou a combatê-las de maneira dura. Os movimentos heréticos desse período foram caracterizados pelo grande apelo popular que tiveram. Como a heresia era considerada o maior de todos os pecados, foi criado o Tribunal da Santa Inquisição. Dois grandes movimentos heréticos desse período destacaram-se: os albigenses e os valdenses.
         A função da Inquisição era investigar, julgar e condenar todos os envolvidos em movimentos heréticos. Para isso, foi permitido pela Igreja o uso da tortura, e os culpados eram condenados à fogueira. Os historiadores não sabem ao certo quantos foram mortos pelo Tribunal da Santa Inquisição, mas estima-se que milhares de pessoas tenham sido mortas.







segunda-feira, 25 de março de 2019

Mesopotâmia - Política e cultura




A organização política da Mesopotâmia tinha um soberano divinizado, assessorado por burocratas- sacerdotes, que estariam responsáveis por administrar a distribuição de terras, o sistema de irrigação e as obras hidráulicas. O sistema financeiro ficava a cargo de um templo, que funcionava como um verdadeiro banco, emprestando sementes, distribuído um documento semelhante ao cheque bancário moderno e cobrando juros sobre as sementes emprestadas.
De modo geral percebe – se que a forma de produção predominante na Mesopotâmia baseou-se na propriedade coletiva das terras administrada pelos templos e palácios. Os indivíduos só usufruíam da terra enquanto membros dessas comunidades. Acredita-se que quase todos os meios de produção estavam sobre o controle do déspota, personificações do Estado, e dos templos. O templo era o centro que recebia toda a produção, distribuindo-a de acordo com as necessidades, além de proprietário de boa parte das terras: é o que se denomina cidade-templo. Administradas por uma corporação de sacerdotes, as terras, que teoricamente eram dos deuses, eram entregues aos camponeses. Cada família recebia um lote de terra e devia entregar ao templo uma parte da colheita como pagamento pelo uso útil da terra. Já as propriedades particulares eram cultivadas por assalariados ou arrendatários.
Em termos culturais da, pré-história da Mesopotâmia poderia ser descrita através de comparando realizações humanas, e não relatando a interação entre diferentes pessoas. Não há base para reconstruir os movimentos e as migrações dos povos, a menos que esteja preparado para equiparar a disseminação de tipos arqueológicos particulares com a extensão de uma população específica, desta forma a mudança de tipos de população ou a aparência de novos tipos com uma imigração. As únicas evidências certas para o movimento de povos além de seus próprios limites territoriais são fornecidas no início por achados materiais que não são indígenas. Com a descoberta de obsidiana e lápis lazuli em locais na Mesopotâmia ou em suas terras vizinhas evidencia a existência de comércio, seja de comércio direto de caravanas ou de sucessões de estádios intermediários. Assim como nenhuma identidade étnica é reconhecível, então nada é conhecido da organização social dos assentamentos pré-históricos.  Quanto a artificial irrigação, que era indispensável para a agricultura no sul da Mesopotâmia, a forma mais antiga provavelmente não era o canal de irrigação. Desta forma supõe – se que, no início de todos esses acontecimentos, as margens fossem represadas para coleta nas bacias, perto das quais os campos estavam localizados. Os canais, que levaram a água mais distante do rio, se tornariam necessários quando a terra na vizinhança do rio não pudesse mais abastecer as necessidades da população.




Fontes:  www.sohistoria.com.br/ef2/mesopotamia/p5.php
www.stoodi.com.br/materias/historia/antiguidade-oriental/mesopotamia-politica-religiao-e-cultura/
brasilescola.uol.com.br/historiag/mesopotamia-sociedade-cultura.htm

domingo, 24 de março de 2019

Renascimento - Localização e Espaço

A partir do século XI, a Europa Ocidental passou por uma série de mudanças importantes: umas delas foi o aumento da produção de alimentos por causa da expansão das áreas agrícolas e da utilização de novas técnicas de cultivo da terra. Com o aumento da produção de alimentos, as pessoas passaram a viver mais e a ter mais filhos, o que levou a um aumento crescente da população.
Ao mesmo tempo, ocorreu também o crescimento do comércio com o Oriente; o aparecimento das feiras, das casas bancárias e o revigoramento das cidades. Mercadores circulavam pela Europa em suas caravanas, levando e trazendo mercadorias de diferentes partes do mundo; os banqueiros trocavam moedas; os donos de navios aumentavam sua frota.
A burguesia (mercadores, banqueiros e donos de navios) enriquecida buscava um prestígio social e político correspondente à sua riqueza material. Medir, calcular, pesar, experimentar e projetar, operações essenciais ao sucesso das atividades mercantis, tornaram-se práticas e conhecimentos socialmente apreciados.
Essas mudanças todas que vinham ocorrendo na Europa desde o século XI criaram as condições materiais para o surgimento do Renascimento, um movimento cultural intenso que começou no século XIV, nas cidades italianas, e se propagou por várias regiões da Europa.
Estudos das proporções do corpo humano feito pelo artista e cientista Leonardo da Vinci para o livro De Architectura, de Marco Vitruvio, 1492. Galeria da Academia. Veneza, Itália. 

Renascimento: características

Para melhor compreender o Renascimento vamos apresentar, de modo simplificado, algumas de suas características.
  • ·         Valorização do passado greco-romano: as obras dos gregos romanos da Antiguidade passaram a servir de modelo e inspiração para os artistas e cientistas do Renascimento.
  • ·         Antropocentrismo: O homem no centro das atenções; o homem passa a ser visto como um ser criativo, virtuoso, capaz de alcançar a glória e dono de seu próprio destino. Na época medieval predominava o teocentrismo (tudo convergia para Deus)
  • ·         Individualismo: atualmente a palavra individualismo é usada, muitas vezes como sinônimo de egoísmo. No Renascimento, porém, tinha sentido positivo; significava a capacidade individual, o talento e/ou a criatividade de cada um
  • ·         Uma nova visão do tempo: o tempo pertence ao homem e este deve usá-lo em benefício próprio, inclusive para enriquecer emprestando dinheiro a juros. Já na visão do homem medieval, o tempo pertence a Deus; por isso é pecado emprestar dinheiro a juros, ou seja, cobrar pelo tempo em que o dinheiro esteve emprestado.

 O Renascimento Italiano

O Renascimento começou nas movimentadas cidades da Itália, como Florença, Milão e Bolonha. Essas cidades governadas por famílias ricas e poderosas, que para se projetarem socialmente financiavam artistas e estudiosos. O homem rico – comerciante, banqueiro, príncipe ou papa – que financiava um artista ou cientista era chamado de mecenas, isto é, protetor das artes e das ciências. 

Texto retirado do livro: Boulos Júnior, Alfredo. História sociedade & cidadania, 7º ano/ 3. ed. - São Paulo: FTD, 2015 p. 141-145

Para mais informação acesse os sites:
DIANA, Daniela. “Renascimento: Características e Contexto Histórico”; Toda Matéria. Disponível em https://www.todamateria.com.br/renascimento-caracteristicas-e-contexto-historico/
PINTO, Tales. “Renascimento Cultural Europeu”; Escola Kids. Disponível em https://escolakids.uol.com.br/historia/renascimento-cultural-europeu.htm
SOUSA, Rainer Gonçalves. “Renascimento”; Mundo Educação. Disponível em https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/artes/renascimento.htm
SOUSA, Rainer Gonçalves. "Renascimento"; Brasil Escola. Disponível em https://brasilescola.uol.com.br/historiag/renascimento.htm

Assista também vídeo aula:
“Renascimento | Quer que desenhe |” Descomplica. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=6NbSXIdObDk
“História Geral #11 Renascimento”. Parabólica. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=QnjkthNjWu0
“O que foi o Renascimento? (História Ilustrada) ”. Parabólica. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=mILMl-dJcqI
“História – Renascimento Cultural – Introdução”. Stoodi. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=aU8X4uojx08
“Surgimento do Renascimento | História |” Descomplica. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=Gl6dEa7A41M

Antiguidade Oriental - Mesopotâmia

Sociedade & Economia

A Mesopotâmia (do grego meso, “meio”, potamos, “água”, significando “terra entre rios”) era uma região situada entre os rios Tigres e Eufrates, onde hoje se localiza grande parte do território do Iraque. Podemos dividi-la em Alta Mesopotâmia ou Assíria ) região montanhosa e ária, ao norte) e Baixa Mesopotâmia ou Caldéia ( ao sul, com terras ricas e férteis.).

Mapa da região mesopotâmica.
Fonte disponível em: https://tudorbrasil.com/2016/02/01/a-mulher-na-mesopotamia/

Desde o Paleolítico. Vários povos já habitavam essa região, que recebeu também inúmeros imigrantes vindos da Ásia, já que se tratava de área de passagem para o continente europeu e o norte da África. Destacaram-se, entre os povos, os sumérios, acádios, amoritas, assírios e caldeus. 
O clima da Mesopotâmia é quente e seco durante a maior parte do ano, e sua vegetação é pobre. Apesar disso, os povos da região souberam aproveitar as águas do Tigre e do Eufrates para irrigar a terra, praticar a agricultura e evitar os longos períodos de fome tão comuns naqueles tempos. Com isso, construíram cidades, reinos e impérios, deixando contribuições importantes para a humanidade. Entre esses povos estavam os sumérios, os acádios, os amoritas, os assírios e os caldeus.
A escrita e as leis
Durante muito tempo, acreditou-se que a escrita surgiu primeiramente na Mesopotâmia, por volta de 3000 a. C. Novos achados arqueológicos, no entanto, indicam que a escrita se desenvolveu, ao mesmo tempo, em diferentes partes do planeta. Ela pode ter sido inventada na Suméria, no Egito, na Índia, ou, então, na China, como indicam os vestígios lá encontrados.
Durante muito tempo, acreditou-se que a escrita surgiu primeiramente na Mesopotâmia, por volta de 3000 a. C. Novos achados arqueológicos, no entanto, indicam que a escrita se desenvolveu, ao mesmo tempo, em diferentes partes do planeta. Ela pode ter sido inventada na Suméria, no Egito, na Índia, ou, então, na China, como indicam os vestígios lá encontrados.
A escrita possibilitou à humanidade armazenar ideias e experiências e transmiti-las às novas gerações.
Na Suméria, o desenvolvimento da escrita não ocorreu de uma hora para outra; resultou de um longo processo com diversos estágios. Os Sumérios escreviam em tabuinhas feitas de argila úmida, que depois eram colocadas ao sol para secar. Para escrever, usavam uma espécie e palito afiado de extremidade triangular, com o qual faziam sinais em forma de cunha. Por isso, essa escrita recebeu o nome de escrita cuneiforme. 
Escrita cuneiforme
Fonte disponível em http://universodahistoria.blogspot.com/2010/07/escrita-cuneiforme.html
Sociedade e Poder
A sociedade mesopotâmica era hierarquizada. No topo estava o rei, que, originalmente, era o líder da comunidade e seu comandante militar em caso de guerra. Por meio da arrecadação de impostos e da guerra, o rei foi se fortalecendo e impôs sua vontade à população; a prova disso é que, por volta de 2600 a. C., surgiu na Mesopotâmia um novo tipo de construção o palácio, residência do rei e principal centro de poder.
O palácio era uma construção grandiosa que possuía várias repartições, oficinas, armazéns e espaço reservado ao treinamento militar; os militares eram treinados para manter o domínio do rei sobre a população, defender o reino e realizar novas conquistas.
Na Mesopotâmia, o poder político era privilégio dos homens e passava de pai para filhos; as mulheres quase nunca chegavam ao poder. Abaixo do rei vinha os sacerdotes, os nobres e os chefes militares. A seguir, os comerciantes, os escribas e os artesãos especializados. E, por último, os camponeses e os escravos (prisioneiros de guerra ou pessoas que não conseguiam pagar dívidas).

Os povos da Mesopotâmia dedicavam-se à agricultura, à pecuária, ao artesanato e ao comércio.
Aproveitando-se das aguas dos rios Tigres e Eufrates. Plantavam vários tipos de cereais, como a cevada, o trigo e o centeio. E plantavam também o linho e o algodão, usados na confecção de tecidos. Nos espaços entre as plantações e ao redor das casas, cultivavam legumes, hortaliças e frutas (especialmente a tâmara).
Tamareiras (espécie de palmeira que produzi tâmara)
Fonte disponível em: https://hav120151.wordpress.com/2017/07/11/jardins-na-antiguidade-da-mesopotamia-a-roma/
Além disso, os mesopotâmicos criavam ovelhas, porcos e bois (usando também como animais de tração), jumentos (para o transporte de cargas) e carneiros (dos quais extraíam a preciosa lã). Os pastores trocavam seus produtos com os agricultores, e ambos realizavam trocas com os habitantes das cidades.
As extraordinárias peças encontradas em sítios arqueológicos do Iraque mostram que, na Mesopotâmia, havia um grande número de artesãos especializados: tecelões, carpinteiros, ferreiros, joalheiros, entre outros.
Nas oficinas dos templos eram feitos objetos de cerâmica, madeira e metal, com acabamento refinado, e que continuam sendo admirados até hoje. Mas, como a Mesopotâmia era pobre em minérios e madeira, organizavam-se expedições para buscar essas matérias-primas em lugares distantes.
Parte da riqueza que circulava pela Mesopotâmia era entregue ao rei ( na forma de impostos) e aos sacerdotes ( na forma de oferendas feiras aos templos). A população livre também era convocada a trabalhar em grandes obras, como palácios, tempos e canais.
O comércio da Mesopotâmia com outras regiões era intenso. Seus mercadores percorriam longas distancias levando para outras regiões cereais, lã e tecidos e, na volta traziam diferentes produtos. Da Ásia Menor vinha a madeira (cedro e cipreste); e do Egito, os metais (outro e prata); e da Índia, artigos de luxo (marfim e pérolas). Quase todo o comércio era à base de troca.  

Texto retirado do livro - Boulos Júnior, Alfredo. História sociedade & cidadania, 6ª ano - 3, ed. - São Paulo: FTD, 2015.  p. 108-119

Para ter mais informação acesse os sites:

Mesopotâmia 20 recursos para você aprender mais. Disponível em https://historiadigital.org/recursos/mesopotamia-20-recursos-para-voce-aprender-mais/
SILVA, Daniel Neves. "Mesopotâmia". Disponível em  https://escolakids.uol.com.br/historia/a-mesopotamia.htm

Assista também vídeo aula sobre a Mesopotâmia:
Playlist - "Mesopotâmia" (Se liga nessa história). Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=uoiQT5QKbI0&list=PLPNLvl90MqKRA21UUfpOGo0Dzz1kfZKsR
"História - Mesopotâmia - Localização, Economia e Sociedade" (Stoodi). Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=ZclCE5ajfpA