,
sexta-feira, 23 de agosto de 2019
quarta-feira, 7 de agosto de 2019
UMA BREVE HISTÓRIA DA CIDADE DE MORRINHOS-GO: DE SUA ORIGEM AO SEU ESPLENDOR
A ocupação da região sul de Goiás aconteceu
ao mesmo tempo que a ocupação do Triângulo Mineiro, que até 1816 fazia parte do
território da província de Goiás. A maior fase de ocupação do Triângulo Mineiro
se deu no inicio do século XIX, quando o governador da Província de Goiás,
Marquês de São João da Palma, em 1809, quando ele organizou bandeiras de
exploração e reconhecimento do lugar. A ocupação da região sul de Goiás
aconteceu quando ainda não havia
legislação fundiária, o que incentivou a migração para o sertão.
Figura 1 - A INTERIORIZAÇÃO E A MARCHA DO POVOAMENTO NO SÉCULO XVIII
Figura 1 - A INTERIORIZAÇÃO E A MARCHA DO POVOAMENTO NO SÉCULO XVIII
Fonte: PETRONE, P., 1970. p.134.
Por se tratar de uma região, de certa forma,
rota de passagem e de incursões de bandeiras que adentravam o interior do
Brasil, conforme se pode notar na Figura 1, não seria possível determinar como,
convencionalmente é relatado por memorialistas da história local, o pioneirismo
da ocupação e povoamento do município, exclusivamente, da família dos Correa
Bueno, mas, também de várias outras famílias como os Martins Veiga, Martins
Assunção, Rosa do Carmo, Gonzaga de Meneses, Coelho de Siqueira, Sousa Rosa,
Luís Guimarães, Rodrigues Paiva, Antônio de Barros, Mendes Moreira, Barbosa
Amorim, Araújo Moreira, Pereira Vargas, Mattos e Parreira e outras dezenas de
famílias anônimas de pardos e negros livres que aqui se estabeleceram na
perspectiva de construir uma nova vida através do acesso livre à terra. E que,
de certa forma, ajudaram a fundar e a construir as cidades de Piracanjuba,
Morrinhos, Itumbiara, Caldas Novas e Buriti Alegre. Conforme informação dos registros
de casamentos realizadas na Capela de Nossa Senhora do Carmo de 1836 a 1852
sabe-se que essas primeiras famílias de entrantes era em sua maioria de Minas
Gerais e originários das localidades de São Francisco das Chagas, Sacramento,
Piuhuim, Bagagem, Passos, Brejo Alegre, Campos Belos, Dores de Uberaba,
varginha, Formiga, Pitangui, Campanha,
Tamanduá e Araxá.
Como nas demais regiões do Brasil, os primeiros
habitantes de Morrinhos, em sua maioria absoluta eram analfabeta e muitos que
se diziam alfabetizados mal sabiam desenhar o nome de rol de assinaturas dos
inventários post-mortem. O analfabetismo ainda era maior entre as viúvas,
informação que não era nenhuma novidade em um contexto histórico de uma
sociedade agrária em que uma escola de primeiras letras mais próxima podia-se
encontrar a dezenas de quilômetros de suas residências em um tempo que o cavalo
e a mula eram os principais e mais rápidos meios de transportes utilizados.
Os dados revelam que o acesso à educação de
primeiras letras era privilégio de poucos, mesmo entre os mais ricos o
analfabetismo era muito grande e mais acentuado entre mulheres, negros, pardos
e pobres. Durante o período colonial eram pouquíssimas as mulheres que tinham o
acesso à educação formal, somente a partir de 1830 que começaram a surgir as
primeiras cadeiras de ensino elementar para meninas em Goiás. Situação que não
melhorou após a independência do Brasil em 1822, segundo os resultados
censitários, já para o final do século XIX, em 1872, 79,7% dos habitantes do
sul de Goiás era de analfabetos, índice que se elevou em 1890, para 88,5%.
Essa população que passou a ocupar o sul de
Goiás teve que migrar de Minas Gerais e de São Paulo para outras localidades em
busca de terras devolutas para apascentar que se encontravam nos longínquos
sertões de Goiás e Mato Grosso. Foram
empurradas para essas regiões interioranas para continuar a dedicar-se a
atividades econômicas centradas na agricultura e pecuária extensiva voltada,
quase que exclusivamente, para o consumo e abastecimento familiar. Foi a crise
da produção aurífera, em um primeiro momento, que instigou esse fluxo
migratório para o Oeste Paulista, Triângulo Mineiro e Sul de Goiás.
Figura 2 - A REGIÃO SUL DE GOIÁS ENTRE, 1822 - 1910
Figura 2 - A REGIÃO SUL DE GOIÁS ENTRE, 1822 - 1910
FONTE: Relatório final do zoneamento ecológico e econômico da região de Meia Ponte. Estudos básicos. Vol I. Estado de Goiás Secretaria do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e Habitação. Superintendência de Gestão e Proteção Ambiental. Metais De Goiás S/A – Metago: Goiânia, 1999. p.182
(* ) Data da
fundação do povoado
( ** ) Data da emancipação do município
Conforme documentação histórica encontrada em arquivos administrativos, cartoriais e paroquiais pesquisados pela historiografia local a ocupação da região sul de Goiás no qual a cidade de Morrinhos encontrava-se inserida teve início nos fins do século XVIII e início do século XIX. A constituição do pequeno povoado que futuramente veio a ser Vila Bela (1871) e, posteriormente, Morrinhos (1882) deve ter se iniciado na década de 1820
Mas precisamente, na década de 1830, já havia um pequeno arraial com poucas casas em que foi edificada uma pequena capela construída em homenagem à Nossa Senhora do Carmo dos Morrinhos, cujas atividades religiosas tiveram início em 1836 quando se tem o registro do primeiro casamento que foi realizado em 11 de abril e teve como noivos Francisco de Paula Abreu e Maria Teodora de Jesus (BARBOSA, 2017).
Mas precisamente, na década de 1830, já havia um pequeno arraial com poucas casas em que foi edificada uma pequena capela construída em homenagem à Nossa Senhora do Carmo dos Morrinhos, cujas atividades religiosas tiveram início em 1836 quando se tem o registro do primeiro casamento que foi realizado em 11 de abril e teve como noivos Francisco de Paula Abreu e Maria Teodora de Jesus (BARBOSA, 2017).
Naquele tempo era comum, depois de alguns
anos ou algumas décadas, os fazendeiros de determinada localidade se reunirem e
fazerem doações de terras para ao
patrimônio de um santo ou santa, onde seria construído a igreja ou capela em
cujas proximidades acabava surgindo um
pequeno arraial que, ser tornava um povoado, depois, freguesia e vila e, por
fim, cidade com a emancipação política. Quando o capitão Gaspar Martins da Veiga
juntamente com sua esposa Joaquina Maria de Jesus, doaram as terras para a
constituição do patrimônio de Nossa Senhora do Carmo – cerca de 600 alqueires – por escritura pública de cartório em 26 de
março de 1845, o arraial de Nossa Senhora do Carmo dos Morrinhos já estava
constituído a algum tempo, mas, a constituição das terras do patrimônio era uma
pré-condição para a elevação de um arraial à condição de Freguesia. Com isso, o
pequeno arraial passou a ser denominado de Freguesia de Nossa Senhora do Carmo
dos Morrinhos. O terreno doado naquela ocasião compreende as terras que
atualmente abrange a área urbana da cidade de Morrinhos-GO.
Os arraiais que se
tornaram vilas e, posteriormente, cidades originaram-se, em sua grande maioria,
de patrimônios religiosos, em que um ou mais proprietários de terras, doavam
terras ao santo de sua devoção, por meio de documento público onde o
beneficiário era a autoridade eclesiástica. O doador fixava desta forma, as
bases estruturais do futuro aglomerado procurando atrair moradores para o
local. Os que estabelecem no chão doado ao santo padroeiro pagavam foros à
diocese e, os que fixavam nas redondezas tornavam-se arrendatários ou
proprietários de lotes de terras ocupados.[1] Essa prática de doar uma
pequena parcela de terra à uma paróquia ou a uma comarca das vizinhanças, era também, uma das formas dos grandes
proprietários legitimarem suas posses e valorizar suas propriedades, “de modo a
envolver as autoridades locais e a garantir seu apoio, em caso de litígio.”[1]
Os arraiais que se tornaram vilas e, posteriormente, cidades originaram-se, em sua grande maioria, de patrimônios religiosos, em que um ou mais proprietários de terras, doavam terras ao santo de sua devoção, por meio de documento público onde o beneficiário era a autoridade eclesiástica. O doador fixava desta forma, as bases estruturais do futuro aglomerado procurando atrair moradores para o local. Os que estabelecem no chão doado ao santo padroeiro pagavam foros à diocese e, os que fixavam nas redondezas tornavam-se arrendatários ou proprietários de lotes de terras ocupados..[1] Essa prática de doar uma
pequena parcela de terra à uma paróquia ou a uma comarca das vizinhanças,era também, uma das formas dos grandes proprietários legitimarem suas
posses e valorizar suas propriedades, “de modo a envolver as autoridades locais
e a garantir seu apoio, em caso de litígio.”[2]
Com a Resolução n.º 2 de 15 de novembro 25 de
novembro de 1855, a Freguesia de Nossa Senhora do Carmo dos Morrinhos foi
elevado à condição de Vila Bela do
Paranaíba. Condição revogada em 1859 e restabelecida somente em 1871, pela Lei
n.63 de 19 de novembro de 1871, em que passou a denominar-se Vila Bela de
Morrinhos. Por fim, em 29 de agosto de 1882, foi elevado à categoria de cidade
com a denominação de Morrinhos, que passou a ser conhecida em princípios do
século XX de cidade dos pomares.
[2]
AZEVEDO, Aroldo de. Habitat. In. AZEVEDO, Aroldo de. (org.) Brasil: a terra e o homem. Vol.II – A vida humana. Cia. Editora
Nacional: São Paulo, 1970. p.245.
A emancipação política de Morrinhos ocorreu
coincidentemente no momento que intenso fluxo migratório para a região sul de
Goiás, por conta da construção da construção da estrada de sul que foi
iniciativa ainda na década de 1850, a partir do apelo da população regional e,
especialmente, dos comerciantes de Uberaba, implementaram-se obras de
construção de pontes, uma balsa no Porto de Santa Rita do Paranaíba (hoje
Itumbiara), construção e melhorias no traçado da estrada o que possibilitou um
trafego como maior segurança e comodidade, por um caminho que representava a
economia de 60 léguas na viagem a São Paulo e Rio de Janeiro, em relação ao
antigo caminho do Anhanguera que cortava o sudeste de Goiás onde,
posteriormente, a partir de 1909 construiu-se os trilhos da Estrada de Ferro
Goiás. Houve o crescimento expressivo do fluxo migratório para a região sul de
Goiás que se consolidou com a mais importante do Estado até meados do século
XX, que tinha a cidade de Morrinhos como a cidade mais importante da região,
constituindo-se, um dos principais centros econômicos e de decisão política do
Estado de Goiás.[2]
Segundo Borges Sampaio (1971) a estrada do
sul ou de São Paulo foi um empreendimento idealizado pelo Padre Hermógenes nos
primeiros anos do século XIX, quando então solicitou do governo da Capitania de
Goiás e concessão de favores para abrir estrada mais curta e segura entre
Uberaba e aquela capital. Porém, somente foi aberta pelo major Eustáquio,
auxiliado por Pedro Gonçalves, mediante o auxílio de mil cruzados pagos pelo
governo metropolitano.
Figura
3 – A ESTRADA DO SUL
OU DE SÃO PAULO, CONFORME INTINERÁRIO DE J.A. LEITE DE MORAIS – 1881.
Fonte: LEITE MORAES, J. 1995.p.33
Somente a partir de fins de 1880 que este
caminho passou a ser o preferido pelos viajantes por se encontrar mais
densamente povoado e por haver maiores facilidades de auxílio e segurança, e
principalmente, por ser o caminho mais curto e transitável e “foi também por
ela que a expedição do coronel Cunha Matos foi colocando os postes que levaram
os fios telegráficos a Goiás”(SAMAPIO, 1971, p. 184)
Devido a intensificação do movimento pela
estrada do sul que se tornou o principal caminho para Goiás até a chegada dos
trilhos da Estrada de Ferro Goiás (1909), houve um aumento do fluxo migratório,
econômico e comercial para as regiões sul e sudoeste de Goiás. Segundo França
(1975, p. 89) entre os anos de 1870 e 1900 ocorreu significativo aumento
populacional na região sul, marcado pela intensificação da migração, procedente
de São Paulo, sobretudo, de Minas Gerais. Os municípios que tiveram maiores
índices de crescimento demográfico entre os anos de 1872 a 1900 foram:
“Morrinhos (207,3%), Pouso Alto (atual Piracanjuba) (201,6%), Curralinho (atual
Itaberaí) (85,1%), Rio Verde com (72,4%), Entre Rios (atual Ipameri) (66,2%),
Jataí (62,5%) e Jaraguá (53,3%)”.
Na região sul, Morrinhos tornou-se importante
ponto de ligação entre Goiás e Minas Gerais, diferentemente do Sudoeste goiano,
os recém-chegados não vivenciaram o isolamento, e acabavam integrando-se a uma
sociedade já constituída, ampliando-a geográfica, social e economicamente.
Desta forma, a partir dos inventários post-mortem, desenvolvido por Hamilton
A. Oliveira (2006) foi possível identificar algumas famílias pioneiras, que
ocuparam a região sul de Goiás na primeira metade do século XIX distribuídas em
suas respectivas propriedades e domicílios conforme se apresenta na Tabela 1.
Divididas as terras entre os familiares e agregados – que poderiam ser parentes ou não – o preparo da terra para o cultivo e pastagem requeria um esforço conjunto de todos os componentes do núcleo familiar extenso, pois na época todo o trabalho era feito com o uso dos braços, tendo apenas como instrumentos básicos de trabalho a enxada, o machado e a foice e o fogo, não utilizava-se de nenhuma adubação química ou qualquer “defensivo” agrícola, a produção, produtividade era determinado pela qualidade do solo e o ritmo de trabalho acompanhava as estações do ano. O tempo e a vida seguia o ritmo da cavalgada dos cavalos e burros e o ranger dos carros de bois, que somente começaram a ser utilizados no transporte de mercadorias com mais intensidade, em Goiás, na segunda metade do século XIX com a interiorização das ferrovias.
Era no campo, ou melhor, no mundo
rural, que a maioria das pessoas vivia e trabalhavam e, de certa forma, era
autossustentáveis por depender muito pouco mercado externo que ficava nas
pequenas vilas e cidades que eram abastecidas pelo pequeno e diverso excedente
produzido nos principais estabelecimentos rurais. Nos mercados das vilas
comprava-se muito pouca coisa, às vezes um vinho ou bacalhau para determinadas
ocasiões especiais e festivas, o sal que era um produto raro e muito caro,
alguns tecidos finos e aviamentos para fabricação de alguns ternos de roupas de
ocasião, louças, vidros, ferro, aço, ferragens, pólvora, chumbo, ferramentas,
escravos e bestas.
Em Morrinhos, por exemplo, na
década de 1880, conforme dados de notas promissórias de cobranças apresentadas
nos inventários post-mortem,
analisados por Hamilton A. Oliveira (2006) havia somente cinco estabelecimentos
comerciais: Casa Bom Gosto de João Gualberto Teixeira; Hermenegildo, Nunes
& Cia.; José Luiz de Medeiros; Francisco Soares Pinheiro; e Eliézer
Severino de Oliveira & Cia. Tratavam-se de pequenos estabelecimentos que
vendiam de tudo um pouco: sortimentos de fazendas, ferragens, armarinhos,
roupas chapéus, calçados, louças, molhados, sal, café, ferramentas, etc.,
também, alguns medicamentos á base de plantas, raízes e manipulados.
O espaço urbano da cidade de
Morrinhos naquele tempo era bem diminuto, provavelmente, não ultrapassava a 500
casas. A movimentação na cidade ocorria aos finais de semana, sobretudo, nas
ocasiões de festividades religiosas que aconteciam no largo da Igreja Matriz de
Nossa Senhora do Carmo, especialmente, nos meses de julho com a festa da
padroeira que, em 1945, passou a ser denominada de Festa do Centenário que
reunia pessoas do município e cidades vizinhas.
Entre 1920 e 1930 Morrinhos já era uma das
principais cidades de Goiás. Em seu
livro “Morrinhos ao som da lira”, Bruno Vieira fala sobre como a cidade cresceu
depois da passagem de Leite de Morais em 1881. Em seu livro ele fala sobre como
a cidade se estendia um pouco acima da rua do comércio, atual Barão do Rio
Branco. Em 1920 a cidade já tinha 3186 casas ocupadas e apenas duas sem
moradores, a cidade tinha o 5º maior rebanho de Goiás e tinha a 3º maior
produção agrícola, nessa época a cidade também era a 3º maior de Goiás, com 24.502
habitantes. Mesmo com todo este crescimento, o campo era onde concentrava a
maioria das pessoas. Por conta da falta de médicos e remédios farmacêuticos de difícil
acesso os morrinhenses buscavam na medicina popular e no trabalho de
curandeiros, parteiras e benzedores o alívio e a cura de suas enfermidades.
A partir da década de 1930 a cidade de
Morrinhos começou a passar por grandes transformações no espaço urbano,
especialmente, com as grandes obras de construções realizadas por Maria Amabini
de Moraes, viúva do senador Hermenegildo Lopes de Moraes, conhecida
popularmente como D. Fiica, que construiu dois grandes colégios na cidade: o
Ginásio Senador Hermenegildo de Morais (para meninos) e o Colégio Maria Amabini
de Moraes (para meninas). Ela também fundou uma Casa de Misericórdia, mas não
chegou a funcionar. Além disso, vendeu centenas de alqueires de terras a preços
acessíveis a pequenos lavradores e construiu o Cine-Teatro Hollywood, conforme
noticiado no Jornal Folha de Goyaz, em 14 de janeiro de 1945, previa acomodação para 1000 pessoas e foi
inaugurado em 26 de março de 1949 e foi considerado por muito tempo um dos
melhores cinemas do interior de Goiás. Por quatro décadas (1949-1989) foi um
dos principais espaços de lazer e entretenimento da cidade de Morrinhos onde se
fazia além da projeção de filmes de longa metragem em sua telona, peças
teatrais e shows artísticos.
Morrinhos na década de 1950 já não era mais a
pequena vila de casas rústicas e esparsas e de aparência deprimente, conforme
relatos de memorialistas e viajantes que outrora aqui viveram e que passaram
pela cidade. Ao longo do século XX a área urbana passou por grandes
transformações, influenciadas pelas notícias e novidades apresentadas pela
construção de Goiânia a moderna e nova capital de Goiás, Morrinhos foi
modificando a sua paisagem urbanística, a começar pela construção da nova
Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo na década de 1930, modificações das
fachadas de antigos casarões coloniais ou a sua destruição e construção de
residências com estilo moderno de alvenaria: tijolos, telhas francesas,
alpendres e fachadas, muitas vezes, seguindo o estilo Art´Deco a exemplo na nova capital que nascia com uma missão
civilizatória conforme preconizavam seus idealizadores, especialmente, Pedro Ludovico
Teixeira.
Morrinhos possuíam uma população, conforme o
Recenseamento de 1950, de 20,8 mil habitantes, destes 1.600 viviam na área
urbana (área central da cidade) e pouco mais de 3 mil já - sofrendo os efeitos
da migração do campo para a cidade – já estavam ocupando a área suburbana da
cidade (bairros periféricos da cidade: Noroeste
- conhecido na época como o Açude -, o Morro da Saudade, São Francisco
de Assis – que era conhecido popularmente como o “Cata Osso”- e JK) e mais de 8
mil pessoas ainda continuavam vivendo e trabalhado na zona rural. Cerca de
aproximadamente 60% da população de Morrinhos declararam não saber ler e
escrever.
A rua Barão do Rio Branco já não era mais a
rua do “Bacobré, do Pega Fogo ou da Batucada”, mas o principal centro da vida
social, cultural e comercial de Morrinhos, com destaque, além das diversas
casas comerciais, o Cine Teatro Hollywood, o Bar Presidente e o Jóquei Club de
Morrinhos. Mas, a Festa do Centenário realizada no mês de julho na data de
comemorações da festa da padroeira de Nossa Senhora do Carmo de Morrinhos no
mês julho – realizada no campo de futebol atualmente está a Praça da Rodoviária
- continuava sendo o principal evento de
gala frequentado pela elite morrinhense. A área urbana já se estendia para as
proximidades do Cemitério São Miguel e do recém-inaugurado Estágio João Vilela
(em 1956), que sempre aos finais de semana recebiam jogos do América Futebol
Club do campeonato goiano ou partidas disputadas com times locais e regionais
que a população morrinhense acompanhava com muito gosto.
**Texto produzido e adaptado
por Hamilton Afonso de Oliveira com a colaboração da bolsista Karen da Cunha
Alves para a realização de atividades do PIBID para o 1.os anos do
Ensino Médio do Colégio Coronel Pedro Nunes.
REFERÊNCIAS
AZEVEDO, Aroldo de. (org.) Brasil: a terra e o homem. Vol.II – A
vida humana. Cia. Editora Nacional: São Paulo, 1970.
BARBOSA, José A. Triângulo da História. 3º
ed. Revista e aumentada. Goiânia: Kelps, 2017.
FRANÇA, Maria de Sousa. Povoamento
no Sul de Goiás: estudo da dinâmica da ocupação espacial. Dissertação de
Mestrado apresentado no Instituto de Ciências Humanas da Universidade Federal
de Goiás em convênio com a Universidade de São Paulo: Goiânia, UFG, 1975.
LEITE MORAES, J.A. Apontamentos de viagem. São Paulo: Cia. das Letras, 1995.
OLIVEIRA, H.
A. (2016). 1804 – A População de Goiás na Transição da Mineração para a
Pecuária. História Revista, 21(1), 154-187. https://doi.org/10.5216/hr.v21i1.33600 - acessado em 04 de ago. de 2019.
______________
A construção da riqueza no sul de Goiás.
Tese de doutorado. Universidade Júlio de Mesquita Filho (UNESP): Franca-SP,
2006. In. http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=98827 –
acessado em 04 de ago. de 2019.
PETRONE, P. Povoamento e colonização. In. AZEVEDO, Aroldo de.(Org.) Brasil: a terra e o homem. Vol.II – A
vida humana. Cia. Editora Nacional: São Paulo, 1970.
Relatório
final do zoneamento ecológico e econômico da região de Meia Ponte.
Estudos básicos. Vol I. Estado de Goiás Secretaria do Meio Ambiente, dos
Recursos Hídricos e Habitação. Superintendência de Gestão e Proteção Ambiental.
Metais De Goiás S/A – Metago: Goiânia, 1999.
[1]
SILVA, 2004 p.42
[2]
A estrada do sul passou a ser a principal via de acesso de Goiás ao Triângulo,
Uberabinha (Uberlândia), Uberaba e com o Província de São Paulo e Rio de
Janeiro. Uberaba, no Triângulo Mineiro,
se tornou no último quartel do século XIX a principal ponte intermediária não
só das relações comerciais, mas, também, de passagem de novos fluxos
migratórios que estavam à procura de abundantes campos, ainda devolutos,
propícios para criação de gado no sul e sudoeste goiano.
[1]
AZEVEDO, Aroldo de. Habitat. In. AZEVEDO, Aroldo de. (org.) Brasil: a terra e o homem. Vol.II – A vida humana. Cia. Editora
Nacional: São Paulo, 1970. p.245.
segunda-feira, 15 de abril de 2019
Estabelecimento da Igreja Católica na Idade Média
![]() |
| Santo Agostinho, um dos pais da Igreja Católica |
O cristianismo estabeleceu-se como instituição nos séculos
finais do Império Romano. Enquanto o Império Romano desmanchava-se em crises
internas, a Igreja Católica fortaleceu-se e firmou suas bases. A perseguição
aos cristãos encerrou-se a partir de 313 com o Édito de Milão, assinado pelo
imperador Constantino. A partir de 380, com a assinatura do Édito de Tessalônica
pelo imperador Teodósio, o Cristianismo transformou-se na religião oficial do
Império.
O estabelecimento da Igreja e a formação
da doutrina eclesiástica ocorreram mediante os conflitos causados pelas heresias,
isto é, todas as doutrinas religiosas que não estavam de acordo com a ortodoxia
vigente. Essas heresias colocavam a existência da Igreja em risco e foram
duramente combatidas. Como exemplos, podemos citar o gnosticismo, pelagianismo,
priscilianismo e o arianismo, uma das heresias que mais possuiu adeptos.
O arianismo surgiu por meio da doutrina
de Ário (viveu no século IV) e negava o conceito da Trindade. Para Ário, o Pai
e Cristo não partilhavam da mesma substância, assim, Cristo não era Deus. Ele
considerava Cristo uma criação do Pai e, apesar de divino, era inferior ao Pai.
O arianismo conquistou inúmeros adeptos pelo mundo cristão, chegando a ser
defendido por imperadores, como foi o caso de Constâncio II.
![]() |
| Batalha de Ascalon, em 1099, durante a Primeira Cruzada |
O problema do arianismo foi tão grande que
foi difundido sobre os povos germânicos a partir de Úlfilas, que converteu os
godos, espalhando-se para ostrogodos, visigodos, vândalos etc. A Igreja Católica
firmou-se entre os povos germânicos a partir da conversão de Clóvis, rei dos
francos no século VI.
Esse primeiro momento de
estabelecimento da Igreja deveu-se muito a algumas personalidades, como Santo
Agostinho, Santo Atanásio, São Jerônimo, Gregório Magno etc. Todos contribuíram
para a construção da doutrina eclesiástica e o fortalecimento da Igreja a
partir do combate às heresias.
Afastamento de Bizâncio e o surgimento do Islã
Após a evangelização dos povos germânicos, o Cristianismo enfrentou nova
ameaça à sua hegemonia com o surgimento do Islamismo e sua expansão fulminante
a partir do conceito de guerra santa, a jihad. Assim, o islamismo expandiu-se
por todo o Norte da África e, a partir de 711, conquistou quase toda a Península
Ibérica. A expansão muçulmana na Europa só foi interrompida em 732, na batalha
de Poitiers, que impediu a entrada dos muçulmanos no Reino dos Francos.
Além do Islã, a Igreja enfrentou também
o afastamento entre o cristianismo sediado em Roma e o cristianismo sediado em
Constantinopla. As diferenças teológicas entre a igreja latina e a igreja
bizantina resultaram no Grande Cisma do Oriente em 1054. O Grande Cisma foi a
separação definitiva da Igreja sediada em Roma da Igreja sediada em
Constantinopla. Assim, surgiu a Igreja Católica Apostólica Ortodoxa.
Cruzadas
A partir de 1095, após convocação do
papa Urbano II, a Igreja Católica iniciou um movimento militar chamado de
Cruzadas (segundo Le Goff, o nome “Cruzadas” só surgiu no século XV|1|) para
conquistar Jerusalém, o Santo Sepulcro e qualquer outro local na Palestina
considerado sagrado do controle muçulmano.
Além disso, a Igreja viu nas Cruzadas
e no estabelecimento de um inimigo em comum a todos uma maneira de canalizar a
crescente violência manifestada pela nobreza europeia. Para justificar as
Cruzadas, foi desenvolvido o conceito de Guerra Justa, que afirmava que a
guerra era aceitável se fosse realizada contra o pagão – nesse caso, o muçulmano.
Ao todo foram realizadas oito
cruzadas ao longo de mais de cem anos. A primeira Cruzada ficou marcada pela
violência da conquista da cidade de Jerusalém em 1099. Foi estabelecido a
partir daí um breve reino cristão na Palestina. A cidade de Jerusalém foi
reconquistada pelos muçulmanos em 1187. A quarta Cruzada marcou o saque de
Constantinopla pelos cristãos em 1204.
As últimas Cruzadas foram lideradas por
São Luís e resultaram em grande fracasso. Os últimos domínios cristãos na
Palestina, Acre e Tiro, foram reconquistados pelos muçulmanos em 1291. As
Cruzadas contribuíram para aumentar o afastamento entre cristãos e muçulmanos.
Inquisição
A partir do século XII, as heresias
ganharam nova força em meios cristãos, e a Igreja passou a combatê-las de
maneira dura. Os movimentos heréticos desse período foram caracterizados pelo
grande apelo popular que tiveram. Como a heresia era considerada o maior de
todos os pecados, foi criado o Tribunal da Santa Inquisição. Dois grandes
movimentos heréticos desse período destacaram-se: os albigenses e os valdenses.
A função da Inquisição era investigar,
julgar e condenar todos os envolvidos em movimentos heréticos. Para isso, foi
permitido pela Igreja o uso da tortura, e os culpados eram condenados à
fogueira. Os historiadores não sabem ao certo quantos foram mortos pelo
Tribunal da Santa Inquisição, mas estima-se que milhares de pessoas tenham sido
mortas.
segunda-feira, 25 de março de 2019
Mesopotâmia - Política e cultura
A organização política da Mesopotâmia tinha um
soberano divinizado, assessorado por burocratas- sacerdotes, que estariam
responsáveis por administrar a distribuição de terras, o sistema de irrigação e
as obras hidráulicas. O sistema financeiro ficava a cargo de um templo, que
funcionava como um verdadeiro banco, emprestando sementes, distribuído um
documento semelhante ao cheque bancário moderno e cobrando juros sobre as
sementes emprestadas.
De modo geral percebe – se que a forma de produção
predominante na Mesopotâmia baseou-se na propriedade coletiva das terras
administrada pelos templos e palácios. Os indivíduos só usufruíam da terra
enquanto membros dessas comunidades. Acredita-se que quase todos os meios de
produção estavam sobre o controle do déspota, personificações do Estado, e dos
templos. O templo era o centro que recebia toda a produção, distribuindo-a de
acordo com as necessidades, além de proprietário de boa parte das terras: é o
que se denomina cidade-templo. Administradas por uma corporação de sacerdotes,
as terras, que teoricamente eram dos deuses, eram entregues aos camponeses.
Cada família recebia um lote de terra e devia entregar ao templo uma parte da
colheita como pagamento pelo uso útil da terra. Já as propriedades particulares
eram cultivadas por assalariados ou arrendatários.
Em termos culturais da, pré-história da
Mesopotâmia poderia ser descrita através de comparando realizações humanas, e
não relatando a interação entre diferentes pessoas. Não há base para
reconstruir os movimentos e as migrações dos povos, a menos que esteja
preparado para equiparar a disseminação de tipos arqueológicos particulares com
a extensão de uma população específica, desta forma a mudança de tipos de
população ou a aparência de novos tipos com uma imigração. As únicas evidências
certas para o movimento de povos além de seus próprios limites territoriais são
fornecidas no início por achados materiais que não são indígenas. Com
a descoberta de obsidiana e lápis lazuli em locais na Mesopotâmia ou
em suas terras vizinhas evidencia a existência de comércio, seja de comércio
direto de caravanas ou de sucessões de estádios intermediários. Assim como
nenhuma identidade étnica é reconhecível, então nada é conhecido da organização
social dos assentamentos pré-históricos. Quanto a artificial irrigação, que
era indispensável para a agricultura no sul da Mesopotâmia, a forma mais antiga
provavelmente não era o canal de irrigação. Desta forma supõe – se que, no
início de todos esses acontecimentos, as margens fossem represadas para coleta
nas bacias, perto das quais os campos estavam localizados. Os canais, que
levaram a água mais distante do rio, se tornariam necessários quando a terra na
vizinhança do rio não pudesse mais abastecer as necessidades da população.
Fontes: www.sohistoria.com.br/ef2/mesopotamia/p5.php
www.stoodi.com.br/materias/historia/antiguidade-oriental/mesopotamia-politica-religiao-e-cultura/
brasilescola.uol.com.br/historiag/mesopotamia-sociedade-cultura.htm
domingo, 24 de março de 2019
Renascimento - Localização e Espaço
A
partir do século XI, a Europa Ocidental passou por uma série de mudanças
importantes: umas delas foi o aumento da produção de alimentos por causa da
expansão das áreas agrícolas e da utilização de novas técnicas de cultivo da
terra. Com o aumento da produção de alimentos, as pessoas passaram a viver mais
e a ter mais filhos, o que levou a um aumento crescente da população.
Ao
mesmo tempo, ocorreu também o crescimento do comércio com o Oriente; o
aparecimento das feiras, das casas bancárias e o revigoramento das cidades.
Mercadores circulavam pela Europa em suas caravanas, levando e trazendo
mercadorias de diferentes partes do mundo; os banqueiros trocavam moedas; os
donos de navios aumentavam sua frota.
A
burguesia (mercadores, banqueiros e donos de navios) enriquecida buscava um
prestígio social e político correspondente à sua riqueza material. Medir,
calcular, pesar, experimentar e projetar, operações essenciais ao sucesso das
atividades mercantis, tornaram-se práticas e conhecimentos socialmente
apreciados.
Essas
mudanças todas que vinham ocorrendo na Europa desde o século XI criaram as
condições materiais para o surgimento do Renascimento,
um movimento cultural intenso que começou no século XIV, nas cidades italianas,
e se propagou por várias regiões da Europa.
| Estudos das proporções do corpo humano feito pelo artista e cientista Leonardo da Vinci para o livro De Architectura, de Marco Vitruvio, 1492. Galeria da Academia. Veneza, Itália. |
Renascimento:
características
Para melhor compreender o
Renascimento vamos apresentar, de modo simplificado, algumas de suas
características.
- · Valorização do passado greco-romano: as obras dos gregos romanos da Antiguidade passaram a servir de modelo e inspiração para os artistas e cientistas do Renascimento.
- · Antropocentrismo: O homem no centro das atenções; o homem passa a ser visto como um ser criativo, virtuoso, capaz de alcançar a glória e dono de seu próprio destino. Na época medieval predominava o teocentrismo (tudo convergia para Deus)
- · Individualismo: atualmente a palavra individualismo é usada, muitas vezes como sinônimo de egoísmo. No Renascimento, porém, tinha sentido positivo; significava a capacidade individual, o talento e/ou a criatividade de cada um
- · Uma nova visão do tempo: o tempo pertence ao homem e este deve usá-lo em benefício próprio, inclusive para enriquecer emprestando dinheiro a juros. Já na visão do homem medieval, o tempo pertence a Deus; por isso é pecado emprestar dinheiro a juros, ou seja, cobrar pelo tempo em que o dinheiro esteve emprestado.
O Renascimento Italiano
O Renascimento começou
nas movimentadas cidades da Itália, como Florença, Milão e Bolonha. Essas
cidades governadas por famílias ricas e poderosas, que para se projetarem
socialmente financiavam artistas e estudiosos. O homem rico – comerciante,
banqueiro, príncipe ou papa – que financiava um artista ou cientista era
chamado de mecenas, isto é, protetor
das artes e das ciências.
Texto retirado do livro: Boulos Júnior, Alfredo. História sociedade & cidadania, 7º ano/ 3. ed. - São Paulo: FTD, 2015 p. 141-145
Para mais informação acesse os sites:
DIANA, Daniela. “Renascimento:
Características e Contexto Histórico”; Toda
Matéria. Disponível em https://www.todamateria.com.br/renascimento-caracteristicas-e-contexto-historico/
PINTO, Tales. “Renascimento
Cultural Europeu”; Escola Kids. Disponível em https://escolakids.uol.com.br/historia/renascimento-cultural-europeu.htm
SOUSA, Rainer Gonçalves. “Renascimento”;
Mundo Educação. Disponível em https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/artes/renascimento.htm
SOUSA, Rainer Gonçalves. "Renascimento"; Brasil Escola. Disponível em https://brasilescola.uol.com.br/historiag/renascimento.htm
Assista também vídeo aula:
“Renascimento | Quer que desenhe |” Descomplica. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=6NbSXIdObDk
“História Geral #11 Renascimento”. Parabólica. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=QnjkthNjWu0
“O que foi o Renascimento? (História Ilustrada) ”. Parabólica.
Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=mILMl-dJcqI
“História – Renascimento Cultural – Introdução”. Stoodi. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=aU8X4uojx08
“Surgimento do Renascimento | História |” Descomplica. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=Gl6dEa7A41M
Antiguidade Oriental - Mesopotâmia
Sociedade & Economia
A
Mesopotâmia (do grego meso, “meio”, potamos, “água”, significando “terra
entre rios”) era uma região situada entre os rios Tigres e Eufrates, onde hoje
se localiza grande parte do território do Iraque. Podemos dividi-la em Alta
Mesopotâmia ou Assíria ) região montanhosa e ária, ao norte) e Baixa
Mesopotâmia ou Caldéia ( ao sul, com terras ricas e férteis.).
![]() |
| Mapa da região mesopotâmica. Fonte disponível em: https://tudorbrasil.com/2016/02/01/a-mulher-na-mesopotamia/ |
Desde
o Paleolítico. Vários povos já habitavam essa região, que recebeu também
inúmeros imigrantes vindos da Ásia, já que se tratava de área de passagem para
o continente europeu e o norte da África. Destacaram-se, entre os povos, os
sumérios, acádios, amoritas, assírios e caldeus.
O
clima da Mesopotâmia é quente e seco durante a maior parte do ano, e sua
vegetação é pobre. Apesar disso, os povos da região souberam aproveitar as
águas do Tigre e do Eufrates para irrigar a terra, praticar a agricultura e
evitar os longos períodos de fome tão comuns naqueles tempos. Com isso, construíram
cidades, reinos e impérios, deixando contribuições
importantes para a humanidade. Entre esses povos estavam os sumérios, os acádios, os amoritas, os
assírios e os caldeus.
A escrita e as leis
Durante
muito tempo, acreditou-se que a escrita surgiu primeiramente na Mesopotâmia,
por volta de 3000 a. C. Novos achados arqueológicos, no entanto, indicam que a
escrita se desenvolveu, ao mesmo tempo, em diferentes partes do planeta. Ela
pode ter sido inventada na Suméria, no Egito, na Índia, ou, então, na China,
como indicam os vestígios lá encontrados.
Durante
muito tempo, acreditou-se que a escrita surgiu primeiramente na Mesopotâmia,
por volta de 3000 a. C. Novos achados arqueológicos, no entanto, indicam que a
escrita se desenvolveu, ao mesmo tempo, em diferentes partes do planeta. Ela
pode ter sido inventada na Suméria, no Egito, na Índia, ou, então, na China,
como indicam os vestígios lá encontrados.
A escrita possibilitou à humanidade
armazenar ideias e experiências e transmiti-las às novas gerações.
Na
Suméria, o desenvolvimento da escrita não ocorreu de uma hora para outra;
resultou de um longo processo com diversos estágios. Os Sumérios escreviam em
tabuinhas feitas de argila úmida, que depois eram colocadas ao sol para secar.
Para escrever, usavam uma espécie e palito afiado de extremidade triangular,
com o qual faziam sinais em forma de cunha.
Por isso, essa escrita recebeu o nome de escrita cuneiforme.
![]() |
| Escrita cuneiforme Fonte disponível em http://universodahistoria.blogspot.com/2010/07/escrita-cuneiforme.html |
Sociedade e Poder
A
sociedade mesopotâmica era hierarquizada. No topo estava o rei, que,
originalmente, era o líder da comunidade e seu comandante militar em caso de
guerra. Por meio da arrecadação de impostos e da guerra, o rei foi se
fortalecendo e impôs sua vontade à população; a prova disso é que, por volta de
2600 a. C., surgiu na Mesopotâmia um novo tipo de construção o palácio,
residência do rei e principal centro de poder.
O
palácio era uma construção grandiosa que possuía várias repartições, oficinas,
armazéns e espaço reservado ao treinamento militar; os militares eram treinados
para manter o domínio do rei sobre a população, defender o reino e realizar
novas conquistas.
Na
Mesopotâmia, o poder político era privilégio dos homens e passava de pai para
filhos; as mulheres quase nunca chegavam ao poder. Abaixo do rei vinha os
sacerdotes, os nobres e os chefes militares. A seguir, os comerciantes, os
escribas e os artesãos especializados. E, por último, os camponeses e os
escravos (prisioneiros de guerra ou pessoas que não conseguiam pagar dívidas).
Os
povos da Mesopotâmia dedicavam-se à agricultura, à pecuária, ao artesanato e ao
comércio.
Aproveitando-se
das aguas dos rios Tigres e Eufrates. Plantavam vários tipos de cereais, como a
cevada, o trigo e o centeio. E plantavam também o linho e o algodão, usados na confecção
de tecidos. Nos espaços entre as plantações e ao redor das casas, cultivavam
legumes, hortaliças e frutas (especialmente a tâmara).
![]() |
| Tamareiras (espécie de palmeira que produzi tâmara) Fonte disponível em: https://hav120151.wordpress.com/2017/07/11/jardins-na-antiguidade-da-mesopotamia-a-roma/
Além
disso, os mesopotâmicos criavam ovelhas, porcos e bois (usando também como
animais de tração), jumentos (para o transporte de cargas) e carneiros (dos
quais extraíam a preciosa lã). Os pastores trocavam seus produtos com os agricultores,
e ambos realizavam trocas com os habitantes das cidades.
As
extraordinárias peças encontradas em sítios arqueológicos do Iraque mostram
que, na Mesopotâmia, havia um grande número de artesãos especializados:
tecelões, carpinteiros, ferreiros, joalheiros, entre outros.
Nas
oficinas dos templos eram feitos objetos de cerâmica, madeira e metal, com
acabamento refinado, e que continuam sendo admirados até hoje. Mas, como a
Mesopotâmia era pobre em minérios e madeira, organizavam-se expedições para
buscar essas matérias-primas em lugares distantes.
Parte
da riqueza que circulava pela Mesopotâmia era entregue ao rei ( na forma de
impostos) e aos sacerdotes ( na forma de oferendas feiras aos templos). A
população livre também era convocada a trabalhar em grandes obras, como
palácios, tempos e canais.
O comércio da Mesopotâmia com outras regiões
era intenso. Seus mercadores percorriam longas distancias levando para outras regiões
cereais, lã e tecidos e, na volta traziam diferentes produtos. Da Ásia Menor
vinha a madeira (cedro e cipreste); e do Egito, os metais (outro e prata); e da
Índia, artigos de luxo (marfim e pérolas). Quase todo o comércio era à base de
troca.
Texto retirado do livro - Boulos Júnior, Alfredo. História sociedade & cidadania, 6ª ano - 3, ed. - São Paulo: FTD, 2015. p. 108-119
Para ter mais informação acesse os sites:
Mesopotâmia 20 recursos para você aprender mais. Disponível em https://historiadigital.org/recursos/mesopotamia-20-recursos-para-voce-aprender-mais/
SILVA, Daniel Neves. "Mesopotâmia". Disponível em https://escolakids.uol.com.br/historia/a-mesopotamia.htm
|
Assista também vídeo aula sobre a Mesopotâmia:
Playlist - "Mesopotâmia" (Se liga nessa história). Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=uoiQT5QKbI0&list=PLPNLvl90MqKRA21UUfpOGo0Dzz1kfZKsR
"História - Mesopotâmia - Localização, Economia e Sociedade" (Stoodi). Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=ZclCE5ajfpA
Assinar:
Postagens (Atom)









